Porrima visitando Dubai

site Porrima.org; você pode encontrar o artigo original seguindo este link.

O navio, agora chamado PORRIMA, foi o primeiro a circunavegar o globo usando apenas energia solar. Desde uma grande reforma em 2017, o catamarã de 36 metros é movido pela integração de energia solar com a produção de hidrogênio a bordo a partir da água do mar. Isso foi complementado por uma tecnologia pioneira de pipas inteligentes. Durante sua segunda circunavegação, o navio fez uma longa parada no Japão. Foi lá que foi renomeado PORRIMA, em homenagem à deusa romana da profecia e protetora das mulheres grávidas. O diretor desta iniciativa dedicou sua vida a criar um renascimento, combinando o melhor da tecnologia com o melhor da natureza.

Agora batizado de PORRIMA, o navio partiu de Osaka, Japão, em 18 de dezembro de 2021, para sua segunda viagem e preparação para uma reforma completa. Esta reforma incluirá a integração de diversas tecnologias inovadoras que mudarão nossa realidade para sempre. Suas primeiras escalas no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho serão em Dubai, Abu Dhabi, Bahrein e no Reino da Arábia Saudita.
De lá, seguirá para o Mediterrâneo, com paradas na Itália, França, Tunísia e Espanha, antes de passar nove meses em Kenitra, Marrocos. Lá, um estaleiro especializado transformará o PORRIMA em um testemunho vivo das tecnologias inovadoras mencionadas. Kenitra também abrigará o Blue Campus, onde os alunos descobrirão tecnologias e modelos de negócios não ensinados em universidades ou estudados por empresas de engenharia. Planejamos preparar 500 jovens para carreiras de destaque nesta área.

O navio PORRIMA, recém-equipado, partirá em sua viagem inaugural de Dakar, Senegal, navegando pelo Mediterrâneo e levando portfólios de tecnologias e modelos de negócios para cidades e regiões ávidas por liderar a transformação. Mediremos nosso sucesso pelas ações tomadas após a partida do porto. Em seguida, o PORRIMA cruzará o Atlântico, visitará o Rio Amazonas e navegará pela costa do Pacífico até São Francisco e, posteriormente, Osaka, chegando a tempo para a abertura da Expo 2025, trazendo a prova da transformação possível rumo a uma sociedade sustentável, repleta de desafios e oportunidades.

O problema com os plásticos

O plástico está agora em toda parte, desde as profundezas do oceano, a Fossa das Marianas, até a placenta de uma gestante.
A poluição plástica está mudando a vida na Terra como a conhecemos. O primeiro relatório sobre a poluição dos oceanos por microplásticos foi publicado na revista Nature em 1972. Por mais de meio século, não fizemos nada além de reclamar. Chegou a hora de irmos além da defesa e agirmos.
Algumas iniciativas louváveis ​​foram tomadas para remover o plástico da superfície dos oceanos e das praias, mas precisamos ver resultados tangíveis. Devemos corrigir nossos erros do passado. Como inovadores, sabemos que isso só é sustentável se houver um modelo de negócios competitivo.

Isolar, concentrar e destruir micro e nanoplásticos.

O fato é que parece que não temos controle sobre a dispersão de plásticos. No entanto, podemos resolver esse problema usando uma tecnologia inspirada na forma como nossos pulmões utilizam a microfluídica para remover CO2 — e nada mais — do nosso sangue. Desenvolvemos uma tecnologia que isola e concentra nanoplásticos usando apenas água do mar. A primeira instalação desse tipo estará operacional no navio PORRIMA em março de 2023. Ela terá a mesma capacidade que nossos pulmões para remover dióxido de carbono do sangue, e planejamos processar 1.000 litros de água do mar por segundo, ou 86.400 toneladas por dia. Nosso objetivo é visitar portos ao redor do Mediterrâneo e instalar 1.000 dessas unidades para lançar uma campanha de limpeza em larga escala. Em seguida, viajaremos para portos nas costas do Atlântico e do Pacífico para compartilhar informações sobre o modelo de negócios por trás desse método revolucionário. A limpeza de nossos oceanos já deveria ter acontecido há muito tempo, e agora temos a tecnologia para realizá-la.

Campus Azul

Desenvolvendo o talento de "astronautas do mar" e empreendedores voltados para o bem comum

Aprendemos duas lições fundamentais: a implementação de inovações exige o desenvolvimento de talentos e a capacidade de industrialização. Nosso objetivo é apresentar a 500 jovens (em idade ou espírito) e dedicados de todo o mundo as inovações e os modelos de negócios que transformarão o mundo, especialmente para aqueles que vivem e trabalham no litoral.

Durante a reforma do PORRIMA em dique seco no Marrocos, compartilharemos conhecimento sobre todas as tecnologias pioneiras por meio de workshops. Os alunos poderão descobrir tecnologias comprovadas. Durante os workshops, os alunos receberão informações sobre melhorias de ponta em inovações e aprenderão a idealizar, projetar, instalar, operar, manter e reparar tais instalações. Desenvolveremos habilidades para operar pipas inteligentes, produzir hidrogênio a partir da água do mar, remover plásticos do fundo do oceano, pescar com cortinas de bolhas... e muito mais. Cada um dos 500 agentes de mudança entusiasmados receberá o título de "Astronauta do Mar" por sua motivação e perseverança em criar seu próprio negócio e apoiar iniciativas industriais voltadas para acelerar a implementação de inovações que mudarão a realidade para pessoas, comunidades e natureza.

Tornar a pesca sustentável e energeticamente eficiente

A indústria pesqueira tem praticado, e continua a praticar, a sobrepesca e o esgotamento dos estoques pesqueiros em todo o mundo.

Uma equipe de especialistas, operando sob o nome BlueShipYards (Marrocos), projetou barcos de pesca de 20 a 24 metros de comprimento que utilizam uma combinação de energia solar, hidrogênio e energia eólica para propulsão. Esses sistemas foram testados pela PORRIMA. Esses barcos também serão os primeiros na história a utilizar a técnica de pesca com cortina de bolhas. Ao liberar cortinas de bolhas de ar, os peixes ficam presos de forma a permitir a captura seletiva apenas dos machos. A pesca é processada a bordo, gerando dez vezes mais receita. Isso permite que a frota opere de forma competitiva, com zero desperdício e zero emissões. O método de pesca seletiva permite que as fêmeas continuem a desovar. Nossa visão é compartilhar esse modelo de pesca com as comunidades costeiras, em conjunto com ações de limpeza de plástico, como meio de subsistência.

Amônia azul

A indústria pesqueira tem praticado, e continua a praticar, a sobrepesca e o esgotamento dos estoques pesqueiros em todo o mundo.

Estamos em busca de uma forma verde de amônia, e o conhecimento adquirido com o projeto PORRIMA nos permite oferecer a solução definitiva: uma forma azul de amônia. A tecnologia envolve a geração de energia por meio de pipas inteligentes, que capturam energia em altitudes de 200 a 800 metros. A energia é gerada pelo movimento de subida e descida (efeito ioiô) das pipas. A energia produzida é utilizada para gerar hidrogênio no local. Uma bateria de 1.000 pipas pode, por exemplo, produzir 1 GW de eletricidade em áreas de mineração desativadas, em uma área de apenas 800 hectares. Isso resulta na disponibilidade de "hidrogênio de quilômetro zero" (produzido e consumido no mesmo local). O hidrogênio é produzido por meio de um novo processo físico-químico que elimina a necessidade de dessalinização, desmineralização e desionização. A reação produz hidrogênio a 350 bar, eliminando a necessidade de compressores.
Quando esse hidrogênio é convertido no local para produzir amônia, essa amônia azul supera todas as outras opções em termos de preço e sustentabilidade.

Proporcionar meios de subsistência às comunidades costeiras

Se você tem o sol, o mar e o vento...

A PORRIMA provou que uma pequena comunidade, com nada além de sol, água do mar e vento à sua disposição, pode ter seu sustento. A energia solar é uma solução de apoio. A pipa inteligente fornece energia básica 24 horas por dia e opera sem baterias, já que todo o excesso de energia é convertido em hidrogênio no local. Utilizando apenas esse excesso de energia, o sistema produz água potável como subproduto, a uma fração do custo da osmose reversa. Ao se libertarem da escassez de água e eletricidade, as comunidades locais têm a oportunidade de investir em seu desenvolvimento, incluindo agricultura, restauração de ecossistemas e regeneração de áreas de pesca, com o turismo sustentável como pilar central.

A economia do mundo subaquático

Já enviamos cem vezes mais foguetes ao espaço do que sondas às profundezas do oceano.

O catálogo da Blue Innovations tornará a exploração dos mares mais segura, agradável e economicamente viável. Este catálogo inclui:
Primeiro, máscaras de mergulho de rosto inteiro que permitem aos mergulhadores comunicarem-se entre si através da transmissão de luz.
Segundo, previsão meteorológica subaquática que possibilita o monitoramento extremamente preciso do clima em áreas localizadas.
Terceiro, um sistema completo de visão 3D que nos permitirá mapear o oceano. Podemos medir a altura exata do Monte Everest, mas não temos os instrumentos necessários para determinar a profundidade exata das fossas oceânicas. Atualmente, apenas cerca de 20% do fundo do mar foi mapeado em 2D. Esta nova tecnologia nos permitirá fotografar cada canto do oceano em 3D.
Quarto, esta tecnologia utilizará a densidade da água, que multiplica a transmissão do som por quase mil.
Esta filtragem sonora ultraeficiente nos dá a capacidade de monitorar toda a atividade no oceano. Usando uma única frequência, podemos focar em um som específico, por exemplo, o batimento cardíaco de um peixe, o que nos permite estimar seu tamanho e peso, ou mesmo seu sexo e idade.

O Pavilhão do Oceano Azul

A Exposição Mundial de 2025 será realizada em Osaka.

Japão. A ONG ZERI Japan celebrará seu 30º aniversário com o Pavilhão Azul em um dos nove pavilhões centrais da Expo. A ZERI Japan foi fundada após a conclusão dos trabalhos preparatórios para o Protocolo de Kyoto. Esse trabalho, realizado em colaboração com a Universidade das Nações Unidas, tem sido fundamental para todas as suas atividades desde 1996. O pavilhão, projetado por Shigeru Ban, apresentará todas as soluções de inovação azul mencionadas anteriormente. No centro do pavilhão estarão as experiências concretas adquiridas pelo navio PORRIMA durante sua Odisseia Azul. O Pavilhão Azul marcará a plena industrialização das soluções propostas e o surgimento de uma nova forma de empreendedorismo — tudo para o bem comum.

Azul Inovação

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